LIÇÃO 12: LAMENTAÇÕES 3.21 a 66 – TRAZENDO A MEMÓRIA O QUE DÁ ESPERANÇA

ESTUDO 12

LAMENTAÇÕES 3.21 a 66 TRAZENDO À MEMÓRIA O QUE DÁ ESPERANÇA

Leitura Bíblica Com Todos

Lamentações 3.1 40

Texto Áureo

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. Lm 3.21

Verdade Prática

A esperança se renova quando trazemos à memória a fidelidade do Senhor.

INTRODUÇÃO

I. QUERO TRAZER À MEMÓRIA 3.21

1. Do lamento à esperança 3.21

2. Uma escolha em meio à dor 3.21

3. O papel da memória espiritual 3.21a

II. AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR 3.22-23

1. São a causa de não sermos consumidos 3.22

2. Renovam-se a cada manhã 3.23a

3. Grande é a tua fidelidade 3.23b

III. A MINHA PORÇÃO É O SENHOR 3.24-27

1. O Senhor é minha porção 3.24

2. Bom é o Senhor para quem espera 3.25

3. E bom suportar o jugo na mocidade 3.27

 

APLICAÇÃO PESSOAL

Devocional Diário

Segunda – Lm 3.21

Terça – Lm 3.24

Quarta – Lm 3.31

Quinta – Lm 3.39

Sexta – Lm 3.55

Sábado – Lm 3.64

Hinos da Harpa: 84-459

 

INTRODUÇÃO

Lamentações 3 é o ponto alto da esperança em meio ao vale do sofrimento. Quando tudo ao redor parece ruir, o profeta escolhe lembrar quem Deus é. Sua memória se torna um altar, e sua esperança, uma resistência espiritual. Ele se recusa a deixar que a dor fale mais alto que a fidelidade do Senhor.

I. QUERO TRAZER À MEMÓRIA (3.21)

Depois de um extenso lamento repleto de imagens de sofrimento, Jeremias nos surpreende com uma virada espiritual. Ele toma uma decisão interior que muda a direção do capítulo: escolhe lembrar. Essa lembrança não é nostálgica. É um ato de fé, um ponto de resistência interior diante da dor.

1. Do lamento à esperança (3.21)

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

Este versículo inteiro representa o ponto de virada não apenas no capítulo, mas em todo o livro. Até aqui, Lamentações é um mergulho na aflição; daqui em diante, emerge um fio de esperança. É como se, no meio do nevoeiro, uma fresta de luz irrompesse, mudando a atmosfera. Jeremias mostra que o lamento pode ser sagrado, quando conduz à lembrança da aliança. O sofrimento continua presente, mas agora há uma lente diferente para enxerga-lo. Essa esperança se baseia não em mudanças externas, mas no Deus que permanece o mesmo.

Trata-se de uma esperança que persiste, como aquela descrita em Hebreus: “Temos essa esperança como âncora da alma, segura e firme” (Hb 6.19). Quando o profeta afirma que “quer trazer à memória”, ele também nos convida a fazer o mesmo: abandonar a espiral da dor solitária e redirecionar o coração para o Deus das promessas. A oração nasce da memória, e a memória cura o lamento. O mesmo Deus que foi fiel ontem será fiel hoje e para sempre.

2. Uma escolha em meio à dor (3.21)

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança

A escolha do profeta é um marco espiritual: ele decide em que vai fixar seus pensamentos. A palavra “quero” revela que ele assume responsabilidade sobre sua mente, mesmo em meio à dor. Não é a me.mória que o conduz, mas ele quem conduz a memória. Jeremias nos ensina que, por mais que a dor seja profunda, ainda nos resta o poder de decidir como reagir a ela. Ele havia descrito sentimentos de abandono, esmagamento e isolamento (3.120), mas agora se recusa a ser escravo das sensações.

Essa escolha revela maturidade espiritual. O salmista também diz: “Por que estás abatida, ó minha alma? […] Espera em Deus” (Sl 42.11). A fé bíblica não ignora a realidade, mas a confronta com a verdade eterna. O profeta toma as rédeas da alma e a conduz ao altar da memória. Em tempos de crise, precisamos aprender a fazer da lembrança um ministério, trazendo ao coração as marcas da fidelidade divina já demonstrada no passado.

3. O papel da memória espiritual (3.21a)

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança

Jeremias sabe que a memória é poderosa. Ele não se entrega a lembranças amargas, nem à nostalgia paralisante. Ele escolhe lembrar do que pode gerar esperança. A esperança bíblica não é otimismo vazio, mas expectativa fundamentada no caráter de Deus. Essa esperança é possível porque ele lembra das misericórdias, do amor pactual e da fidelidade do Senhor. Ao trazer isso à mente, a alma encontra nova respiração. Isso ecoa o que Davi escreveu: “Lembro-me de ti no meu leito; medito em ti nas vigílias da noite” (Sl 63.6).

A fé precisa de alimento, e a memória é esse instrumento espiritual que alimenta o coração em tempos de escassez. O apóstolo Paulo nos diz que “tudo o que, outrora, foi escrito, para nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4). Logo, lembrar das promessas, da graça e dos livramentos passados é semear esperança nos terrenos secos da alma

II. AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR (3.22-23)

Aqui, Jeremias alcança o ponto mais alto de fé em meio ao vale. Ele declara que a razão pela qual o povo ainda existe mesmo sob juízo é a misericórdia do Senhor. Em um mundo em colapso, a alma encontra esperança ao perceber que a aliança divina não foi revogada, e que o amor de Deus continua se renovando, dia após dia.

1. São a causa de não sermos consumidos (3.22)

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;

Neste versículo, o profeta abandona a lógica da tragédia e se ancora na teologia da graça. Jeremias não nega o juízo, mas reconhece que ele foi limitado pela misericórdia. O verbo “consumir” aponta para extermínio total mas isso não ocorreu. Algo freou a devastação: o amor compassivo de Deus. O termo “misericórdias” tem origem na palavra hebraica para “ventre materno”, sugerindo um amor protetor, visceral, incondicional. Deus não é apenas justo Ele é profundamente compassivo. Em meio à devastação, Jeremias afirma que o que nos sustenta de pé não é a força humana, nem o mérito do povo, mas a misericórdia de Deus.

A frase ” porque as suas misericórdias não têm fim” é um abrigo para a alma. Não se trata de uma misericórdia limitada, que se gasta ou se esgota. Pelo contrário: ela não tem prazo de validade, não se desgasta com o tempo, não é interrompida pela nossa infidelidade. Deus é infinito em compaixão. A misericórdia que nos alcançou ontem continua viva hoje e em benefício dos que creem. Essa é a base da esperança do crente: saber que o amor de Deus não se esgota com os nossos erros. O juízo é real, mas a misericórdia é mais duradoura. Enquanto houver um Deus misericordioso, a esperança continuará viva.

A misericórdia é a ponte entre o que merecíamos e o que Deus oferece.

2. Renovam-se a cada manhã (3.23a)

Renovam-se cada manhã…

Jeremias afirma que as misericórdias do Senhor não apenas resistem ao tempo elas se renovam. A imagem da manhã nos remete ao recomeço, ao ciclo diário que Deus sustenta. Cada manhã é um lembrete silencioso de que Deus ainda está conosco. A escuridão da noite pode nos fazer pensar que tudo acabou, mas o nascer do sol prega um sermão: a misericórdia ainda não terminou. A renovação não depende do nosso mérito, mas da constância do caráter divino. Assim como o maná no deserto era concedido diariamente (Ex 16.45), também a compaixão do Senhor nos é servida dia após dia, segundo a medida necessária.

A cada despertar, Deus nos estende graça renovada. O choro da noite pode nos parecer o fim, mas é apenas o prefácio da fidelidade que se renova com o dia, pois a alegria vem pela manhã (Sl 30.5). A esperança não vem da ausência de problemas, mas da presença permanente de Deus, que nos visita com misericórdia a cada novo amanhecer. Isso nos ensina a viver um dia de cada vez, confiando na suficiência diária do Senhor.

3. Grande é a tua fidelidade (3.23b)

Grande é a tua fidelidade.

Jeremias encerra essa seção exaltando a fidelidade divina como fundamento de toda confiança. A palavra “grande” não é decorativa: ela expressa profundidade, consistência e majestade. Deus é grande em amor, mas também grande em compromisso. Em meio ao colapso nacional, à quebra do sistema político e religioso, uma coisa permanece de pé: Deus não falha. Essa fidelidade se manifesta no cumprimento das promessas e na renovação da misericórdia. Mesmo quando o povo se mostra infiel, o Senhor continua fiel (2Tm 2.13). A fidelidade de Deus é o eixo que sustenta o universo (Sl 119.8990) e a alma do crente. Não é apenas algo que Ele faz é quem Ele é.

Jeremias, entre escombros, não deposita sua esperança em estratégias humanas ou em restauração imediata, mas no caráter imutável de Deus. E é isso que nos sustenta também hoje: saber que, apesar dos fracassos, das perdas e das falhas, há um Deus que permanece firme, cujo amor não muda com as estações. Sua fidelidade é a razão da nossa resistência e a garantia da nossa esperança.

III.A MINHA PORÇÃO É O SENHOR (3.24-27)

Neste trecho, Jeremias confessa sua confiança pessoal: o Senhor é minha porção. A esperança que nasceu na memória e foi fortalecida pela misericórdia agora amadurece em uma entrega serena. Ele se aquieta, aprende a esperar e reconhece que o sofrimento, quando acolhido com fé, produz crescimento.

1. O Senhor é minha porção (3.24)

A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Aqui encontramos uma das declarações mais íntimas e corajosas da fé bíblica. Jeremias não se apoia em melhorias externas, mas afirma: “a minha porção é o Senhor”. Essa linguagem evoca a distribuição da herança em Israel, quando os levitas não receberam terras, mas o próprio Deus como herança (Nm 18.20). O profeta se identifica com essa postura ao declarar que não precisa de bens, de status ou de garantias bastalhe Deus.

Dizer que o Senhor é sua porção é afirmar que Ele é suficiente. Isso vai na contramão da lógica humana, que busca segurança nas circunstâncias. Aqui, a alma proclama algo profundo: Deus não apenas provê, Ele é a provisão. E, por isso, o profeta escolhe esperar. Essa espera não é passiva, mas um repouso ativo na soberania divina. Como disse Isaías: “Aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças” (Is 40.31). Em tempos de perda, lembrar quem Deus é torna-se uma âncora para o coração.

2. Bom é o Senhor para quem espera (3.25)

Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca.

Jeremias agora ensina, com autoridade espiritual, que a bondade do Senhor se revela aos que O buscam. Deus não é apenas bom em essência, mas se mostra bom na experiência dos que confiam. A esperança aqui é cultivada na alma que aprende a esperar e a buscar.

Buscar a Deus não é apenas orar: é entregar-se, é desejar conhecer mais, mesmo em meio ao caos.

O profeta ainda reforça que é “bom aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio” (3.27). Este silêncio não é indiferença, mas reverência: é a atitude de quem sabe que Deus está agindo, mesmo quando tudo parece parado. É a confiança que descansa. No Salmo 131.2, lemos: “Como criança desmamada se aquieta nos braços da mãe, assim é a minha alma.” Esperar em silêncio é abandonar a ansiedade e confiar no tempo de Deus. Esse tipo de espera transforma o interior, gera maturidade e prepara o coração para ver a salvação do Senhor, no tempo certo, do modo certo, com a medida certa.

3. É bom suportar o jugo na mocidade (3.27)

Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

A frase final desta seção surpreende: Jeremias afirma que é bom passar por aflições desde cedo. O “jugo” aqui simboliza responsabilidade, disciplina e prova. Na perspectiva do mundo, isso parece absurdo. Mas, à luz da fé, as experiências difíceis vividas com

Deus tornam-se instrumentos de formação. A mocidade representa o início da jornada, o tempo de aprender a confiar. Sofrer quando jovem é aprender cedo a depender do Senhor

Jeremias não está romantizando o sofrimento, mas enxergando nele uma oportunidade de moldar o caráter. A geração que aprende a carregar o jugo com Deus crescerá forte e sensível à Sua voz. A dor, quando vivida com fé, se transforma em ferramenta de lapidação espiritual. Quem aprende a esperar com paciência desde cedo, estará preparado para caminhar com firmeza em qualquer estação da vida.

 

APLICAÇÃO PESSOAL

Os que esperam pacientemente pela sua salvação devem confiar na fidelidade e nas misericórdias do Senhor

RESPONDA

1) O que Jeremias escolheu lembrar no meio da dor?

2) Qual é a fonte das misericórdias que se renovam?

3) O que significa dizer que o Senhor é a nossa porção?

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

OBJETIVOS

Identificar a abrangência do juízo de Deus às nações vizinhas.

Compreender que Deus é soberano sobre todos os povos.

Em Lamentações 3.21 a 66 há 46 versos. Sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Lamentações 3.140 (5 a 7 min.).

A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia.

Reconhecer o Senhor como justo juiz entre as nações.

PARA COMEÇAR A AULA

Nesta lição, o professor deve conduzir os alunos da dor ao consolo, mostrando que mesmo no lamento mais profundo há lugar para a esperança. Jeremias expressa que trazer à memória as misericórdias do Senhor é um ato consciente de fë, mesmo diante da ruína.

Destaque que as misericórdias se renovam a cada manhã, e a fidelidade de Deus é inabalável. Encoraje os alunos a reconhecerem o valor da espera confiante e do aprendizado em tempos difíceis. Reforce que declarar “O Senhor é a minha porção” é uma afirmação de entrega e confiança. A lição ensina que, em meio à dor, a memória espiritual nos sustenta e a fidelidade divina nos levanta.

Prepare pequenos cartazes com as promessas e versículos de esperança encontrados no capítulo a ser estudado (Lm 3). Peça a alguns voluntários que façam, cada um, uma selfie segurando o cartaz. Incentive que publiquem essas fotos nas redes sociais da igreja, acompanhadas de uma legenda pessoal sobre o que aquela promessa significa para eles hoje. Explique à turma que esse gesto simples serve como memória viva do que nos dá esperança e também como testemunho público para fortalecer a fé da comunidade.

RESPOSTAS DAS ATIVIDADES DA LIÇÃO

1) A fidelidade e a misericórdia de Deus

2) O amor fiel e inesgotável do Senhor

3) Deus é suficiente para sustentar a alma.

LEITURA ADICIONAL

Lamentações 3.21: Nesse cenário, em que ondas de autocomiseração ameaçam novamente inundar o poeta, a fé que o levara a apelar ao Senhor

o leva a refletir sobre as implicações do seu ato de oração. Se o Senhor pode ser trazido para o quadro, então sua situação não deve ser considerada um estado definitivo de morte e melancolia. Lembrarei reflete uma decisão consciente de trazer de volta ao seu pensamento (nesse caso, coração reflete o aspecto cognitivo do seu ser interior, não apenas uma reação emocional) aquilo que anteriormente havia iluminado sua vida espiritual. Ele recuperará sua atitude de fé e de pendência no Senhor dando a isso, ou seja, às considerações que subsequentemente ele exporá, uma perspectiva controladora em sua vida. Agindo dessa maneira (portanto, cf. 3.24), ele está certo de que sua perspectiva mudará: terei esperança. O verbo provém da mesma raiz que o substantivo “esperança” em 3.19, mas aqui o pensamento é positivo. Não descreve um desejo passageiro de uma futura boa sorte, mas uma antecipação bem fundamentada e duradoura de bênção. Essa esperança é derivada da fé que compreende a revelação que Deus fez do seu próprio caráter e do seu poder para transformar até mesmo as situações mais desesperadoras. Essa é solução bíblica para aqueles que se encontram espiritualmente nas profundezas.

Livro: Comentário do Antigo Testamento Lamentações (John L. Mackay. São Paulo: Cultura Cristā, 2018, p. 141).

2 commentários

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